São Paulo terá megamostras de arquitetura no ano que vem

Por SILAS MARTÍ
Vista aérea de São Paulo
Vista aérea de São Paulo

Depois de celebrar o centenário de Lina Bo Bardi e Vilanova Artigas, dois de seus maiores arquitetos, São Paulo deve se transformar num dos maiores palcos mundiais das discussões arquitetônicas a partir do ano que vem. Primeiro, a Bienal de Arquitetura de São Paulo, resgatada da inércia e de um estado moribundo pelo curador Guilherme Wisnik em sua última edição, deve acontecer em março, mais uma vez –ao que tudo indica– a cargo de Wisnik.

Adiada de outubro deste ano para maio do ano que vem, a mostra paulistana vai coincidir com a Bienal Internacional de Arquitetura de Roterdã, organizada pelo holandês Maarten Hajer. A mostra será uma reflexão sobre como o desenho das cidades pode influenciar o desenvolvimento econômico, tema que também deve pautar a mostra da capital paulista.

Museu de Arte Moderna do Rio, projeto de Affonso Eduardo Reidy, destaque da mostra do MoMA
Museu de Arte Moderna do Rio, projeto de Affonso Eduardo Reidy, destaque da mostra do MoMA

Depois, a metrópole recebe a megamostra “Latin America in Construction”, que acaba de entrar em cartaz no MoMA, em Nova York. Se tudo correr bem, o apanhado histórico do museu nova-iorquino, com destaque para figuras como Bo Bardi, Artigas, Paulo Mendes da Rocha, Oscar Niemeyer e outros mestres brasileiros, será uma espécie de abre-alas do ano na Oca, no parque Ibirapuera. Representantes do Museu da Cidade, responsável pelo espaço, negociam agora a vinda da mostra com o MoMA.

Na sequência, o pavilhão desenhado por Niemeyer será a sede da décima edição da Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo, um dos eventos mais relevantes para discussões nessa área para região. Os arquitetos espanhóis Ángela García de Paredes e Ignacio García Pedrosa, do escritório Paredes Pedrosa Arquitectos, serão os responsáveis pela edição paulistana.

Teleféricos de Medellín, que já recebeu Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo
Teleféricos de Medellín, que já recebeu Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo

Há cinco anos, estive em Medellín, para uma das edições da mostra que comemorava o lifting urbanístico, ou melhor, a reestruturação total da antiga capital do narcotráfico, que se tornou um exemplo de serviços e transportes públicos, com teleféricos cortando um relevo acidentado e ligando bairros distantes e uma rede de bibliotecas públicas com desenho estonteante.

Na ressaca da aprovação do novo plano diretor paulistano, São Paulo será um laboratório interessante para ver como projetos em grande parte ainda teóricos podem ganhar uma dimensão real quando aplicados por aqui.