Uma revista que convida o leitor a pisar na grama com os pés descalços

Por SILAS MARTÍ
Fotomontagem com camisetas criadas pelo coletivo Piseagrama
Fotomontagem com camisetas criadas pelo coletivo Piseagrama

Uma revista de arte e arquitetura que fala menos de prédios e obras e mais sobre como essas coisas podem mudar o mundo, a “Piseagrama”, de Belo Horizonte, chega agora a seu sétimo número, com uma discussão sobre a natureza dos espaços públicos. É uma edição que só virou realidade depois de uma campanha de financiamento coletivo, que arrecadou doações de 1.001 pessoas, todas elas com os nomes estampados na contracapa da revista.

Ancorada na capital mineira e com colaboradores espalhados pelo mundo, a revista reflete um movimento curioso e hiper-ativo de coletivos ligados à arquitetura que floresceu em Belo Horizonte, tendo entre seus expoentes artistas, arquitetos e ativistas urbanos como Louise Ganz, Breno Silva, Wellington Cançado e Carlos Teixeira, que esteve na Bienal de São Paulo há cinco anos e documentou esse fenômeno numa série de livros.

Na nova “Piseagrama”, há textos sobre um conto de Machado de Assis, “Um Erradio”, em que  narra as errâncias de seu personagem pela boemia carioca, um ensaio fotográfico sobre os bonequinhos de semáforos mundo afora feitas pelo artista belga Francis Alÿs, um trabalho inédito de Paulo Nazareth, em que reflete sobre suas andanças por espaços públicos, entre outros destaques.

É um trabalho minucioso, com acabamento gráfico de primeira, e por isso merece ser visto no papel, impresso. Muito do conteúdo da revista pode ser encontrado on-line, mas é uma peça editorial que precisa ser vista e sentida em mãos, como o toque dos pés descalços num gramado.