As melhores obras da ArteBA

Por SILAS MARTÍ
Instalação de Eduardo Basualdo, na galeria PSM, na ArteBA, em Buenos Aires
Instalação de Eduardo Basualdo, na galeria PSM, na ArteBA, em Buenos Aires

Eduardo Basualdo. Um dos nomes mais fortes da cena argentina e agora também expondo na mostra principal da Bienal de Veneza, Eduardo Basualdo cria instalações ao mesmo tempo violentas e delicadas, como essa em que o cabo de uma faca projeta o que seria a sombra de sua lâmina. Na mesma galeria, a PSM, de Berlim, o artista exibe duas janelas atravessadas por linhas negras que parecem enforcar os dois planos de vidro colocados lado a lado.

Fotografia do artista uruguaio Martín Sastre na ArteBA, em Buenos Aires
Fotografia do artista uruguaio Martín Sastre na galeria Del Paseo, na ArteBA, em Buenos Aires

Martín Sastre. O artista uruguaio que ficou famoso por criar um perfume com flores da horta pessoal do presidente José Mujica tem forte presença na ArteBA. Sua instalação “Time”, essa palavra inglesa escrita com letras espelhadas, contabiliza o tempo que espectadores passam diante dela e pagará um equivalente em dinheiro a esse tempo acumulado a um jovem artista emergente, que deve usar a quantia para produzir uma nova obra. Na fotografia que mostrou na galeria Del Paseo, de Punta del Este, Sastre aparece com Marina Abramovic na sacada da Casa Rosada, imitando Evita Perón.

Obra do artista colombiano Bernardo Ortiz, na galeria Casas Riegner, na ArteBA, em Buenos Aires
Obra do artista colombiano Bernardo Ortiz, na galeria Casas Riegner, na ArteBA, em Buenos Aires

Bernardo Ortiz. Um dos nomes mais fortes da cena colombiana, Bernardo Ortiz ocupa quase todo o espaço da galeria Casas Riegner, de Bogotá, na ArteBA. Seus desenhos minimalistas refletem ao mesmo tempo certa fragilidade estrutural, em alusão ao contexto político de seu país, e uma serialidade exacerbada, em diálogo com a tradição dos minimalistas.

Obra do artista argentino Pablo Accinelli na galeria Ignacio Liprandi, na ArteBA, em Buenos Aires
Obra do artista argentino Pablo Accinelli na galeria Ignacio Liprandi, na ArteBA, em Buenos Aires

Pablo Accinelli. Também de pegada minimalista, o trabalho de Pablo Accinelli, artista argentino radicado em São Paulo, reflete sobre a lógica de sistemas de medição e construção. Nesse trabalho, o artista usou uma lixa para apagar os contornos de uma mapa da cidade de Buenos Aires.

Instalação do artista holandês Marco Poloni na galeria Campagne Première, na ArteBA, em Buenos Aires
Instalação do artista holandês Marco Poloni na galeria Campagne Première, na ArteBA, em Buenos Aires

Marco Poloni. Disparada a melhor obra da feira ArteBA, o trabalho de Marco Poloni é uma instalação que narra o assassinato do cônsul boliviano em Hamburgo, Roberto Quintanilla, em 1971. Quintanilla foi assassinado em seu escritório com três tiros de revólver que formavam a letra “V”, de vitória, em seu peito. Ele era o diretor do serviço secreto boliviano que ordenou a captura e execução de Che Guevara e foi morto por Monika Ertl, filha de Hans Ertl, diretor de fotografia dos filmes de Leni Riefenstahl sobre as Olimpíadas de Berlim. Sua arma fora comprada pelo bilionário italiano Giangiacomo Feltrinelli. Poloni, neste trabalho, desvenda uma rede de relacionamentos ao longo dos anos 1960 e 1970 que ele entende como uma galáxia revolucionária.

Colagem da artista espanhola Julia Spínola na galeria Heinrich Ehrhardt, na ArteBA, em Buenos Aires
Colagem da artista espanhola Julia Spínola na galeria Heinrich Ehrhardt, na ArteBA, em Buenos Aires

Julia Spínola. A artista espanhola que já teve uma mostra em São Paulo usa papéis pautados, partituras e outras folhas com uma estrutura pré-determinada para criar colagens atravessadas pelo acaso, como manchas de tinta, marcas e rastros que resultam de performances e coreografias.

Desenhos do colombiano Santiago Reyes Villaveces na galeria Instituto de Visión, na ArteBA, em Buenos Aires
Desenhos do colombiano Santiago Reyes Villaveces na Instituto de Visión, na ArteBA, em Buenos Aires

Santiago Reyes Villaveces. O artista colombiano flerta com o minimalismo e com a arte povera para criar composições que refletem sobre falhas na lógica abstrata de sistemas de medidas, como réguas em que apagou a marcação dos centímetros, pequenas esculturas que espalhou pelas ruas de Turim ou esses desenhos de meteoritos cortados ao meio por ordem de um político.

Pintura de Oscar Bony na galeria Laura Haber, na ArteBA, em Buenos Aires
Pintura de Oscar Bony na galeria Laura Haber, na ArteBA, em Buenos Aires

Oscar Bony. Famoso por um dos maiores clássicos da performance da contracultura, o artista argentino que pôs uma família de classe operária para posar como escultura em pleno museu em 1968 também criou, nos anos 1970, uma série de pinturas de nuvens no céu, uma referência à Argentina sob a ditadura em que as pessoas pareciam estar com a “cabeça nas nuvens”.

Obra do artista argentino Eduardo Stupía na galeria Jorge Mara - La Ruche, na ArteBA, em Buenos Aires
Obra do artista argentino Eduardo Stupía na galeria Jorge Mara – La Ruche, na ArteBA, em Buenos Aires

Eduardo Stupía. Em preto e branco, as composições com tinta, lápis e carvão de Eduardo Stupía são turbulentas abstrações com algum resquício de imagens figurativas. Lembram paisagens engolfadas por tempestades.

Fotomontagem do artista argentino Antonio Berni na galeria Sur, na ArteBA, em Buenos Aires
Fotomontagem do artista argentino Antonio Berni na galeria Sur, na ArteBA, em Buenos Aires

Antonio Berni. Essas fotomontagens do artista argentino Antonio Berni, um dos nomes mais relevantes da história da arte do país, combinam cenas de guerra com recortes de revista, em especial de modelos e pin-ups, que são deslocadas para contextos sangrentos, outra alusão à ditadura.