Tom of Finland e clássicos da arte homoerótica em dia histórico nos EUA

Por SILAS MARTÍ
Desenho de Tom of Finland em sua retrospectiva no Artists Space, em Nova York
Desenho de Tom of Finland em sua retrospectiva no Artists Space, em Nova York

No dia em que a Suprema Corte americana aprovou o casamento gay nos Estados Unidos, meu amigo Jason Farago, crítico do jornal “The Guardian” escreveu sobre a retrospectiva de Tom of Finland agora em cartaz no Artists Space, centro cultural em Nova York. Roubo aqui sua ideia para comentar também o assunto. É uma dessas estranhas coincidências que no momento em que o país mais poderoso do mundo reconhece a união homossexual um dos artistas mais importantes na construção da iconografia homoerótica seja reconhecido em Manhattan com sua maior mostra de todos os tempos.

Desenho de Tom of Finland, no Artists Space, em Nova York
Desenho de Tom of Finland, no Artists Space, em Nova York
Desenho de Tom of Finland, no Artists Space, em Nova York
Desenho de Tom of Finland, no Artists Space, em Nova York
Desenho de Tom of Finland, no Artists Space, em Nova York
Desenho de Tom of Finland, no Artists Space, em Nova York

Tom of Finland, ou o finlandês Touko Laaksonen, era até pouco tempo atrás um ilustrador-fetiche no mundo gay por suas representações de homens hiper-sexualizados, com membros maiores do que pernas, músculos que mal cabem nas roupas e testosterona à flor da pele. Só nos últimos anos, e a retrospectiva no Artists Space atesta isso, foi alçado à condição de artista.

Não sou fã de seu estilo, mas confesso que é impossível desviar o olhar desses seus personagens. Existe ali uma idealização torpe da figura masculina, uma certa virilidade brutal, que habita só o plano da fantasia. Mascara, até certo ponto, a perseguição sofrida pelos homossexuais ao longo da história, criando um mundo paralelo em que o sexo gay é coisa de super-heróis imbatíveis. Mesmo que Tom of Finland tenha demorado para sair do armário na cena artística, seus delírios de uma virilidade quase caricatural informou uma parcela importante da produção visual homoerótica das últimas décadas, dos desenhos de Andy Warhol às alegorias nos filmes de Kenneth Anger.

No fim de um dia em que timelines de todas as redes sociais se tingiram com as cores do arco-íris, lembro aqui alguns clássicos da arte homoerótica.

Cena de 'Scorpio Rising', de Kenneth Anger
Cena de ‘Scorpio Rising’, de Kenneth Anger
'Triptych of George Dyer', de Francis Bacon
‘Triptych of George Dyer’, de Francis Bacon
'O Banhista', de Paul Cézanne
‘O Banhista’, de Paul Cézanne
Fotografia da série 'Sonatinas', de Alair Gomes
Fotografia da série ‘Sonatinas’, de Alair Gomes
Fotografia de Nan Goldin
Fotografia de Nan Goldin
Bordado de Leonilson
Bordado de Leonilson
'Z', fotografia de Robert Mapplethorpe
‘Z’, fotografia de Robert Mapplethorpe
Fotografia com intervenção de Andy Warhol
Fotografia com intervenção de Andy Warhol
Pintura de Kehinde Wiley
Pintura de Kehinde Wiley
Fotografia da dupla Pierre & Gilles
Fotografia da dupla Pierre & Gilles