Londres expõe lado B de Bacon, que passou por SP

Por SILAS MARTÍ

Dois anos depois que esses mesmos desenhos passaram por São Paulo numa mostra no agora extinto Paço das Artes, uma galeria de Londres mostra os controversos desenhos italianos de Francis Bacon. Nas últimas décadas de sua vida, tentando fugir da fama e do controle da Marlborough, casa que administrava sua carreira em Londres, o artista britânico, que está entre os mais caros do mundo, passou longas temporadas na Itália, onde teria feito 500 desenhos.

Ele deu essas obras criadas entre 1977 e 1992, ano de sua morte, a seu último namorado, o italiano Cristiano Lovatelli Ravarino. Hoje elas estão sob a guarda de David Edwards, irmão do companheiro mais longevo de Bacon, John Edwards, que herdou boa parte da obra do artista.

Desenho da fase italiana atribuído a Francis Bacon
Desenho da fase italiana atribuído a Francis Bacon

Na capital britânica, a galeria Herrick agora põe à venda alguns desses trabalhos, duas pinturas ofertadas por cerca de R$ 4 milhões cada e oito desenhos por R$ 6 milhões. Mesmo com os preços nas alturas, a casa não garante a autenticidade das obras, de acordo com o “The Art Newspaper”.

Nenhum desses trabalhos, aliás, estará no catálogo raisonné, publicação que reúne todas as obra de um artista, de Bacon. A compilação que sairá em breve está sendo organizada por Martin Harrison, que disse a um juiz há quatro anos, ainda segundo a publicação britânica, que esses desenhos são “pastiches, ou até mesmo paródias, com profundo desrespeito pela obra de Bacon”.

Desenho da fase italiana atribuído a Francis Bacon
Desenho da fase italiana atribuído a Francis Bacon

Quando falamos há dois anos por ocasião da mostra paulistana, o último amante de Bacon disse que o mercado jamais reconheceria essas obras, já que tudo foi feito em segredo, sem o conhecimento da Marlborough, o que chamou de uma “vingança sutil” contra a forma que a casa tentava controlar o trabalho do artista. Na época, escrevi na “Ilustrada” que pairavam dúvidas sobre a autenticidade dessas peças. Resta ver como o mercado em Londres, terra natal de Bacon, vai se comportar diante da oferta desses seus desenhos italianos, uma espécie de lado B e secreto de sua obra.