MAC quer ser ‘ressarcido’ com obras de Edemar

Por SILAS MARTÍ

Diretores do Museu de Arte Contemporânea da USP vão pedir à Justiça para ficar com algumas das 600 obras de Edemar Cid Ferreira que estão sob a guarda da instituição há mais de uma década.

Em dezembro, a massa falida do Banco Santos, que representa os credores do ex-banqueiro, conseguiu autorização para leiloar as peças avaliadas em R$ 6 milhões.

Mas o MAC quer ficar com uma parte delas. Seria um ressarcimento pelos cerca de R$ 10 milhões que o museu estima ter investido em conservação e pesquisas sobre essas obras desde que elas
foram levadas à instituição.

Na lista de desejos do MAC, estão trabalhos de Adriana Varejão, Gabriel Orozco, Hudinilson Jr., Jeff Wall, Olafur Eliasson, Paul McCarthy, Rirkrit Tiravanija, Vik Muniz, entre outros. Carlos Roberto Ferreira Brandão, diretor do MAC, esclarece, no entanto, que não se trata de uma seleção calcada nos preços das obras.

“Não estou pedindo um valor”, afirma Brandão. “O que a gente está pedindo é que algumas obras que complementam nossos acervos permaneçam na coleção em ressarcimento dos custos que a gente teve nesses anos.”

Ataque O desembargador Fausto De Sanctis, que atuou no caso Edemar, também critica o fato de o governo federal não ter exercido seu direito de preferência nos demais leilões de obras do ex-banqueiro que estavam em museus públicos.

Ataque 2 Ele diz que vendas de telas como as de Roy Lichtenstein e Joaquín Torres-García, arrematadas em Nova York, não poderiam ocorrer fora do país. “Não houve cumprimento da lei. O interesse público é mais relevante, não o dos credores.”