Masp receberá quase R$ 500 mil de fundação americana para criar projeto de conservação

Por SILAS MARTÍ

Depois da Casa de Vidro, o Masp é o segundo prédio desenhado pela arquiteta Lina Bo Bardi a receber uma doação da Fundação Getty, de Los Angeles, para elaborar um projeto de restauro e conservação a longo prazo. O museu da avenida Paulista terá US$ 150 mil, cerca de R$ 470 mil, para desenvolver esses estudos com um time de arquitetos e especialistas.

Silvio Oksman, arquiteto especializado em restauro, está à frente do projeto, como antecipou esta coluna em outubro do ano passado. Ele planejava escanear a laser todo o museu, para identificar e prevenir eventuais problemas em sua estrutura, mas conta, no entanto, que o plano mudou e outras técnicas serão usadas.

Esse escaneamento a laser já vinha sendo sendo usado em estudos da Casa de Vidro, onde a arquiteta viveu até o fim de sua vida, e no prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, obra emblemática de Vilanova Artigas, um dos pilares da arquitetura brutalista, também alvo de estudos de Oksman.

No caso do Masp, o arquiteto e sua equipe devem primeiro centrar esforços no estudo das estruturas de concreto do museu, analisando como elas envelheceram ao longo dos anos. Também darão especial atenção a uma deformação das vigas superiores, que sustentam a grande caixa de vidro das galerias sobre o vão livre. Desde a conclusão do projeto, em 1968, elas vêm se envergando, e a forma como corrigir o problema será um dos principais focos do estudo.

“Essa era uma estrutura inovadora quando a Lina propôs, era bastante radical para aquele momento”, diz Oksman. “Nunca foi feito um estudo aprofundado sobre o comportamento desse prédio ao longo dos últimos 50 anos, sobre como ela respondeu à movimentação. Estudar essa estrutura era o primeiro passo para se pensar na conservação global do prédio. Isso interfere na forma de expor, interfere nos caixilhos, nas questões de luminosidade e isolamento térmico.”

Outras 21 obras icônicas do modernismo global, entre elas a sede da Bauhaus, desenhada por Walter Gropius, em Dessau, na Alemanha, e o Museu e Galeria de Arte do Governo, obra de Le Corbusier, em Chandigarh, na Índia, a famosa Casa Melnikov, do russo Konstantin Melnikov, em Moscou, e a torre Price, obra de Frank Lloyd Wright em Bartlesville, nos Estados Unidos, também foram contemplados pela mesma doação da Fundação Getty, que destinou US$ 1,66 milhão, cerca de R$ 5,2 milhões, à conservação de todos eles.