Frieze em NY lidera semana de feiras da primavera e venda do século na Christie’s

SILAS MARTÍ

É a segunda onda. Depois das feiras de março, com a cidade ainda numa chave de braço polar, vêm a primavera e as feiras de maio. Muito se especulou sobre uma suposta crise da Frieze New York, o braço americano do megaevento britânico, mas ela deu um upgrade na tenda que monta todo no na Randall’s Island, um pedaço de terra no meio do rio East ao lado do velho Spanish Harlem, e parece estar reagindo.

Um sinal, pelo menos para o mercado latino-americano, é a inversão do jogo. Dois anos atrás, com a crise corroendo o faturamento das galerias brasileiras e a Armory Show, a maior feira nova-iorquina, tentando se reinventar, as casas gigantes paulistanas e uma ou outra carioca mais aventureira trocou a Frieze pela rival. Neste ano, depois que a Armory abriu na ressaca de um escândalo de assédio sexual que levou à troca de comando da feira, o caso é outro —a feira dos píeres sobre o Hudson teve só uma galeria do país, a Nara Roesler, enquanto a Frieze abre as portas com oito delas.

Estão lá Fortes, D’Aloia & Gabriel, Mendes Wood DM e Nara Roesler, três casas que aos poucos vêm destronando todas as outras para se estabelecer no topo do mercado brasileiro, e nomes fortes, como Vermelho e A Gentil Carioca, do Rio de Janeiro. Enquanto a Dan, galeria mais conhecida por vender arte moderna e peças do chamado mercado secundário, faz sua estreia na feira, a Frieze esse ano tem uma ausência notável —a Casa Triângulo, que esteve em quase todas as edições do evento que começou há seis anos, não fez a viagem.

Outra casa que vem se firmando no panteão das galerias de arte moderna, a Bergamin & Gomide também veio passar uma semana de vendas em Nova York, só que na Tefaf New York Spring, o evento americano da feira holandesa conhecida como playground dos ultrabilionários, que abarrotam o aeroporto de Maastricht com seus jatinhos para comprar tudo, de diamantes raros às ovelhas conservadas em formol de Damien Hirst.

Nessa mesma semana, outra feira que atravessou o Atlântico monta um entreposto em Manhattan. A 1:54, evento especializado em arte contemporânea africana que começou em Londres, traz mais uma série de galerias para a maior metrópole americana, onde os olhos do mercado há muito se voltam para artistas da chamada diáspora africana, um dos nomes que indústrias como o mercado da arte encontrou para batizar um histórico de racismo e escravidão.

Enquanto colecionadores zanzam por tendas e centros de convenção pela cidade, o mercado esquenta ainda mais. A Kurimanzutto, mais poderosa galeria mexicana, aproveita o buzz para abrir uma filial nova-iorquina, e aqueles com bolsos mais profundos aguardam alvoroçados pelos leilões da semana que vem, entre eles a chamada venda do século —a Christie’s vai fazer um saldão da coleção dos Rockefeller, conjunto de 2.000 obras que deve custar por baixo uns US$ 700 milhões.