Uma pausa olhando para o futuro
Este blog estreou neste ano com a ideia de complementar a cobertura de artes visuais da “Ilustrada” com desdobramentos do noticiário, reflexões e outras notas que às vezes não se tornariam uma reportagem. Escrevo agora para contar que o “Plástico” faz uma pausa até o ano que vem, voltando em janeiro.
Viajo para os Estados Unidos para desenvolver uma pesquisa na Universidade de Michigan, em Ann Arbor, sobre alguns aspectos do mercado da arte, em especial a tributação, e avançar na minha pesquisa já em andamento na Universidade de São Paulo a respeito das ruínas urbanas e o impacto que a estética do abandono desses espaços tem na cultura da noite e da arte.
Enquanto eu não volto, deixo aqui uma lista de algumas coisas que acho legal acompanhar no Brasil e no mundo neste segundo semestre.
Bienal de Istambul. Esta edição da mostra organizada por Carolyn Christov-Bakargiev será sua primeira grande curadoria depois que fez a última Documenta, em Kassel, na Alemanha, há três anos. Muitos dos nomes escalados batem com a lista da mostra alemã, entre eles Adrián Villar Rojas e Theaster Gates, que tiveram duas das melhores obras em Kassel.

ArtRio. Chegando à quinta edição, a feira vale mais como um termômetro do mercado carioca pré-Olimpíadas do que pela seleção de galerias. Nos últimos dois anos, com a crise econômica se agravando, nomes importantes do mercado global, como Gagosian, Hauser & Wirth e Pace, caíram fora. Com o foco mais voltado para o Brasil, este será o ano de estreia da filial carioca da Fortes Vilaça, que entra no Rio para concorrer com outra poderosa casa paulistana, a Nara Roesler, que já abriu as portas por lá.

Panorama. O Museu de Arte Moderna faz em outubro sua versão mais enxuta do tradicional Panorama, centrando o foco em seis artistas —Berna Reale, Cao Guimarães, Cildo Meireles, Erika Verzutti, Miguel Rio Branco e Pitágoras Lopes Gonçalves. Organizada por Aracy Amaral e Paulo Miyada, a mostra fará um cruzamento da obra desses artistas com objetos arqueológicos de 7.000 anos encontrados no litoral sul do país e parte da costa uruguaia.

Bienal do Mercosul. Em tempos de crise, tudo indica que essa será a mais fraca edição do evento de Porto Alegre, que se firmou no calendário internacional por algumas seleções ousadas de artistas da América Latina e por rearranjar o circuito artístico nessa parte do continente. Tendo Gaudêncio Fidelis como curador, a mostra tem uma lista vertiginosa de artistas, de Aleijadinho a Beatriz Milhazes. Resta ver como isso vai se organizar por lá.

Videobrasil. Inaugurando em outubro um novo espaço na Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo, o Videobrasil segue ampliando o escopo de sua seleção, indo muito além de obras em vídeo. Destaques deste ano incluem Sonia Gomes, única brasileira na seleção principal da atual Bienal de Veneza, o malinês Abdoulaye Konaté e o colombiano Carlos Monroy.